20 de janeiro de 2009

Da Inexistência da Intimidade

Ou: Fim do refúgio
Ou: Fim da expressão: “cá com meu umbigo”
Ou: Fim da expressão: “cá com meus botões”
Ou: Fim da expressão: “Pensei cá comigo”

Preâmbulo inútil
À primeira vista, pode parecer que o título refere-se à dificuldade de alguns de manterem suas vidas fora do alcance dos olhos e/ou dos comentários de terceiros (bisbilhoteiros, paparazzis, fofoqueiros, olheiros); mas não é nada disso. E é muito mais grave que isso. Se constatada a minha teoria (e eu estou providenciando isso; tende paciência, irmãos), teremos uma verdadeira revolução na vida da humanidade. Digo mais: a.C e d.C (onde C é inicial de Cláudio) será o novo paradigma para alocar os fatos históricos no tempo. Vou explicar a teoria. Prometo ser objetivo e claro, porque clara e distinta é minha idéia. Ora, toda idéia, quando nasce, nasce perfeita, redonda, clara e distinta. Toda intuição, idem. Todo insight, idem. Mas quando a gente se mete a explicar, a exprimir a bendita idéia, a sofrida intuição ou o insigne insight, deparamo-nos com dois obstáculos: a) achar a melhor forma de exprimir para fazer-se compreendido; e b) ser compreendido. Quem melhor que eu explica essa dificuldade para exprimir idéias é Augusto dos Anjos que, num soneto chamado A Idéia (Vá no google, escreva “eu e outros poesias”, ou “incógnitas criptas misteriosas”, “tísica, tênue, mínima, raquítica...”, ou “mulambo da língua paralítica”), aponta a dificuldade de traduzir, em palavras, uma idéia. Pois bem, minha idéia, pra mim, é clara e distinta, como quereria Descartes. Conto com vocês para traduzi-la aqui, porque, se eu não for entendido, só me restará botar a viola num saco e ir cantar noutra freguesia e tirar o cavalinho da chuva. Vale ressaltar que O Implikant, hebdomadário do curso de Filosofia da Faculdade São Bento de Salvador, do qual eu era editor-chefe, publicou brevíssima nota acerca da presente teoria. Aqueles que leram a referida nota deram tanta importância quanto dão à bula de um cataflan. Lá vai, portanto, a teoria claudicante.

Palavras-chave:
Subjetividade, intelecto, idéia, intimidade.

A teoria

Pensamento/idéia é matéria. Pensamento/idéia é energia. Pensamento/idéia, nascendo, junta-se ao mundo real; ganha corpo e junta-se ao todo. Portanto, o que eu penso/idealizo, tão logo pense, vira coisa, derivando, claro, da coisa em si, da Grande Coisa, da Coisona, do Coisão. Pensamento/idéia não é metafísico. É físico. Ora, sendo física a idéia (doravante, fundo os termos pensamento e idéia, que passam a ser tão somente idéia), ela não se aloja num compartimento “x” de meu intelecto, de meu cérebro, de minha subjetividade. E, ainda que ali se alojasse, continuaria sendo matéria, realidade, exterioridade, substancialidade. E, agora que faz parte do real, é também pública. Público. Eis a palavra-chave de minha teoria. Vou usar uma metáfora agora. É mais prático, entendem? Se tenho um rádio e ele está desligado as “rádios” que tocam música e notícia ser-me-ão ocultas, certo? Mas se ligo o rádio e sintonizo uma rádio, passo a ter acesso àquela informação. Essa informação é pública. Ter acesso a ela é uma questão que está nas minhas mãos. Ora, os meus pensamentos, minhas idéias, agora que as tenho, são públicas; ou seja, estão disponíveis. A você, que porventura queira ter acesso a elas, bastam-lhe três coisas: a) querer conhecer minha idéia; b) ter um rádio, ou seja um equipamento, um mecanismo, um meio de lê-lo/ouvi-lo; c) e sintonizar. Pronto.
Esta, em síntese ultra sintética e concisa, é a teoria.

Questões
Sei que, de hoje em diante, muitas perguntas serão feitas e muitas dúvidas surgirão, já que uma tão robusta teoria não pode ser explicada num mísero parágrafo. Todas elas serão respondidas neste espaço público. Expressões de baixo calão serão censuradas e os muito críticos que me perdoem, mas tolerância é fundamental.

Nas próximas postagens, vou apontar quais as implicações resultantes de minha teoria.

5 comentários:

db disse...

vamos lá então...

tudo bem que as idéias sejam físicas, e energéticas, afinal energia é matéria.

mas como diabos alguem poderia invadir a privacidade dos meus pensamentos por esse simples fato? espero que op senhor não tenha uma resposta, porque se não eu vou ter perdido o meu último refúgio de privacidade, o qual eu achei que ninguem jamais violaria... o que é deveras perigoso, pra mim e pra humanidade.

responda-me, ó mestre.

Denny Joplin disse...

Cláudio..........questões se seguem como a recompensa da teoria.........
o presente.........de ter na resposta o fragmento de uma próxima idéia.
Mas como por mesmo todas as idéias em teoria?uma das mais inabláveis dificuldades humanas....e concordo que tudo o que pensamos nós mesmo dissipamos numa tentativa de resposta.........
eis uma idéia nova a surgir, daí a diante.....
Excelente texto Cláudio!!!!!!!!

isaac mendes disse...

Bem...a idéia... Representação mental de uma coisa concreta ou abstrata; imagem. Maneira PARTICULAR de ver as coisas.
Poxa meu caro, a idéia é única. "Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa." e se torna pública...Mas tudo depende se faz parte de nossa "idéia" querer que ela se torne pública ou se torne matéria!
Abraço grande Cláudio.

Anônimo disse...

Por coicidência, no início desta semana passei a construir vários desfechos para várias situações, caso chegássemos ao íntimo do pensamento alheio... acho que mesmo a minha projeção mais aterrorizadora não me deixou tão intrigado quanto o que Devana disse:O que é deveras perigoso, pra mim e pra humanidade.
O que tu anda pensando menino??

Mauricio

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