Não de mim, mas do logos tendo ouvido é sábio homologar tudo é um. HIPÓLITO, Refutação, IX, 9.
5 de junho de 2011
A Breve Saga do Apêndice de Zeca Oreba
Na quarta feira fizemos sarau na escola São José onde Zeca recitou Patativa e tocou Yesterday na gaita de boca. Há dias ele falava que queria comer pizza...
Depois que desarmamos o circo (sarau) e guardamos tudo que tinha de ser guardado nos altos da casa da Shirlene, Bia, Lana, Priscilla e Zeca começaram a cantar o maravilhoso funk “A Larica dos Moleques” ao som de ‘Lucy’, o violão de Devana Babu. Apesar de ser um pouco tarde, a Marlisete, esposa de Edvair e mãe de Lana, ligou para a Pizzaria de uma amiga comum e pediu pra segurar o negócio aberto até a nossa chegada, no que foi prontamente atendida. E lá fomos nós. Comemos, bebemos, cantamos, farreamos e voltamos pra nossas casas. Dormimos e acordamos pela manhã, porém não muito cedo, que nós somos boêmios da noite. Mas o Zeca acordou com dores na barriga e acabou no banheiro em situação nada agradável. A situação foi piorando ao ponto de irmos ao posto de saúde local, onde pra variar não tinha pediatra. Fomos ao Postinho médico do nosso bairro, onde ele foi atendido pelo médico de plantão que, pasmem! Diagnosticou apendicite, mas como não é pediatra recomendou levá-lo com urgência ao HMIB, o Hospital infantil de Brasília, o que fizemos de pronto, na companhia de Edvair, que nos levou. Chegamos às 15h no hospital. Chegando lá o de praxe: ficha, senha, espera, chamada... Fizeram ecografia, depois exame de sangue e o pediatra mandou-nos de volta, pelas 18h, pra casa, pro Zeca ficar em observação. Buscopan, antiinflamatório, cara feia, etc. Zeca dormiu até bem, mas, pela manhã mais dores e ai mamãe prá lá, ai mamãe pra cá. Pelas 14h, chama-se o Edvair e vamos de novo pro hospital. Mais exame de sangue acompanhado de radiografia e a única preocupação do Zeca era o jogo do Brasil. Se ia ficar internado precisava de uma televisão. Se não ia, que hora voltaríamos pra casa. Por fim assistimos ao jogo no saguão do hospital, eu, ele e Edvair. Ele, claro, contestando a escalação de mano Menezes e detonando o Fred, jogador do fluminense, por eu e Edvair sermos tricolores. Chamam-no de volta depois dos exames prontos. Juntam-se três pediatras em discussão sobre o caso. Chamam mais um Cirurgião para a discussão. Veredicto final: Apendicite e cirurgia! Já! Já quer dizer umas duas horas depois. Sem água e sem comida. Metem-lhe o soro na veia. Aparece o anestesista. Se lascou, o cara era tricolor e lançou a pergunta: o senhor tem mais algum problema além de ser flamenguista? Como assim, pergunta Zeca. E o anestesista responde: È que eu costumo dar uma dose bem pequena de anestesia aos flamenguistas (Rá, rá, rá!). Bom, pra sorte do Zeca o Cirurgião era flamenguista. Meia-hora depois de entrar na sala de cirurgia e com um furo de dois centímetros na barriga, Zeca foi para a enfermaria e meio acordado meio dormindo reclamou com a mãe: Você me enganou... snif... Disse que não ia doer nada... snif... Mas doeu... Snif...
Agora é meio-dia do dia seguinte e estamos saindo pra visitá-lo.
Devo dizer que o bicho é sujeito-homem. Não amarelou em nenhum momento. Mas como dizem que o poeta é um fingidor...
10 de maio de 2011
Direto de Cuiabá
Acerca da postagem Completamente Seu, diz Manoel:
a) Na vida, como em tudo que está no Universo, os processos obedecem ao gráfico cartesiano de início, crescimento, ápice e decrescimento, até chegar ao ponto big-bang, onde a energia se concentra e explode para dar início a algo novo.
b) Nenhum fato é bom ou ruim. O que é bom ou ruim é a atitude que se tem diante do fato. Assim, sentir revolta e conformismo diante de um fato, é apenas uma questão de escolha. O conformismo é uma virtude, porque é atitude própria dos fortes (virtude se inicia com vir, de viril), dos que têm a consciência de que tudo pode ser rerpcessado.
c) O poeta dá a lição dos que vê apenas o lado bom da vida:
- Ter saudade é melhor do que ter um mundo vazio
- A esperança faz parte natural da minha vida
- Você me ensinou muitas coisas, entre elas, a de não deixar morrer o sonho de sempre ser feliz.
Acerca da postagem Honrar a Vida, diz Manoel:
Honrar a vida é viver intensamente o agora, dando verdadeiro significado ao existir, cujo alcance semântico vai além do significado de viver. Honrar a vida é estar consciente de que todo o universo circundante é produto da própria atitude mental. Saber que a queda (caída) pode fazer parte para aquele que não consegue transcender a lei de causa e efeito, tendo que cumpri-la, mas sabendo que cair é apenas uma etapa do levantar-se. A lei, toda lei, não existe para ser cumprida, mas sim, para ser transcendida. Só cumpre a lei aquele que provoca a materialização de sua incidência, que é sempre abstrata. Assim, quanto mais se transcende a lei de causa e efeito (lei do carma), mais se honra a vida. É um erro pensar que o sofrimento é necessário para a lapidação do caráter, pois ele é um processo de quem escolhe o caminho da dor, por não ter transcendido a lei de causa e efeito, obrigando-se à colheita do que plantou. Vejo na letra da canção de Eladia Blasquez uma mensagem oposto a de Francisco Octaviano, que expressou:
Quem passou a vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.
5 de maio de 2011
A Boca Escancarada de Devana Babu
Essas tais deidades são artistas de uma magnitude incomensurável na música, cujo poder e influência se estendem até os mais inesperados recantos. Geralmente, são artistas cuja discografia é gigantesca, e que não se podem envelopar em determinado período da história, embora tenham importância vital para vários deles. Caras que criaram a música, praticamente. Caras que são tocados de botecos ordinários a festas do Lago Sul.
Raul Rock Seixas pertence a essa categoria. A mesma em que estão David Bowie, Caetano Veloso, Bob Dylan, Elvis Presley, Arto Lindsay e os Beatles. É um grupo muito seleto. A maior parte desses caras, parece, não morrem nunca, e, não morrendo, não param de gravar e revolucionar nunca.
Raulzito, coitado, não aguentou tanto tempo. Mas pra quê mais?
Ouro de Tolo é uma canção que mostra bem esse lado dele, se bem que não seja dificil garimpar esse tipo de exemplo na sua obra. Muito pelo contrário.
Nessa canção, Raul fala sobre sua própria situação em determinada época da vida: batalhou, passou fome, lutou pela sua arte e se tornou um artista do mainstream, reconhecido, vendendo discos de platina, arrotando saúde, com casa, carro, e todas esssas porcarias. Mas Raul nos antecipa: e daí? Ele não acha graça nenhuma. Ele gosta é da luta, da dor. Conseguir não tem graça.
Belo dia, tendo voltado de manhã pra casa e acordando por volta do meio dia, desperto com minha imão falando: "Tí Claudinho mandou você fazer uma crítica sobre a música Ouro de Tolo". Ouvir isso ao despertar é, no mínimo, atordoante. Confesso, abestalhado, que não entendi nada, e o recém despertar não ajudou nem um pouco. Quê? Cuma? Por quê essa música? Tudo bem... gosto muito de Raul, tenho sua discografia completa em mp3, adoro essa música, mas... Por quê ela? Achei que titio estava doido. Tão jovem! Mas agora percebo quão maquiavélico ele foi. Não sei como, mas adivinhou minha alma, tocou na minha ferida. Agora percebo seu propósito e, portanto, aqui vão minhas impressões sobre a letra.
Não farei aqui uma análise da mesma. Cá ente nós, que me perdoem todos os analistas, mas esse lance de análise de música é besteira. E em todas as artes é assim. Ora, pra quê dizer o que o cara quis dizer com uma letra? O cara já não disse tudo... na letra! Daidecorrem duas coisas: se é preciso explicar a letra, ou o autor é muito ruim - e não foi bem sucedido em transmitr a mensagem - , ou o ouvinte é muito burro a ponto de não entendê-la. Ponto. Portanto, se você ler uma análise de música, fique atento: o autor da análise está te chamando, taxativamente, de burro.
Mas não se ofenda. Não há nada de errado em ser burro. Eu também sou burro e leio análises de músicas, porque existem pessoas muito mais inteligentes que eu, que entenderam coisas que eu jamais entenderia sozinho, e obrigado por me explicar.
Ainda: música é como piada. Não pode explicar, senão perde a graça, não é não?
Agora, falar sobre as impressões, histórias, desdobramentos, sentimentos... isso é outra coisa.
Ouro de Tolo.
Tio Maquiavélico.
Existe um momento, na vida de toda pessoa que tem alguma ambição artística, em que ela tem que dar uma resposta qualquer à sociedade e às pessoas que a cercam, ou com as quaias tem algum vínculo, inclusive afetivo e econômico.
Raulzito, meu filho, teve que ser um maldito, um artista vagabundo e imprestável, e teve que ser tornar o dito cidadão respeitável que ganha quatro mil por mês para, depois, fazer o que bem quisesse. Conquistar um milhão de coisas.
Ele desdenha de tudo isso. Ele não quer um corcel 73, nem dar pipoca aos macacos, nem andar de tobogã. Eles está dizendo claramente: gente, deixa de ser besta! Isso nao tem graça nenhuma, tem coisa muito melhor nessa vida. E está dizendo: vocês não podem me criticar, eu sou tudo o que voces são e tudo o que vcs queriam ser. E, ao mesmo tempo, está dizendo: deixem de ser bestas, seus artistinhas de merda. Façam como eu! Isso é uma etapa necessária.
Só raul pra pagar sapo pra todo mundo e sentar no trono de seu apartamento, altivo, mas sem se acomodar: com o olho fixo nos discos voadores. O que me lembra de meu tio Cláudio (pelo visto, maquiavel não encarnou só em papai).
Tio claudinho sempre foi meio ricardístico; A imagem do cara bem sucedido e corporativo, mas a inda assim um artista de qualidade inquestionavel e vivência imbarrável. É tudo o que gente como eu e Sakuro queríamos ser, mas não temos competência pra isso.
Ricardo, tio Cláudio, temos inveja de vocês.
Tio Claudinho me lembra muito a música ouro de tolo. Mas não levianamente. De forma assustadora! Um cara sentado no trono de um apartamente, em uma cobertura na área nobre de salvador, olhando para os discos voadores lá fora, disparando sua lira para todos os pobres mortais cá de baixo.
Ainda tenho flashs de mim e minha irmão Priscilla, comendo com ele no mac donalds, ou no cinema do pátio, ouvindo ele dizer sarcásticamente:
- Titio é o quê, meninos?
ao que respondíamos, eufóricos, em uníssono:
- Burguês!
Nem sabíamos o que queria dizer "burguês". Ele nos botava pra repetir isso. Eu achava que burguês queria dizer bicha, e ficava meio constrangido de chamar titio disso, mas pensava: se ele é que está pedindo, se ele gosta, tudo bem!
E aqui estamos Sakuro e eu, agora, a distribuir currículos em branco.
Senhores, está na hora de escancarar a boca cheia de dentes e esperar a morte chegar.
d.b iv/v/mmxi xv:xix - ouro de tolo
Nota do Editor:
Abaixo estão dois vídeos preparados para acompanhar a postagem, cujo conteúdo será replicado oportunamento. Quem fala o que quer...
Quem fala abaixo é o Editor do CFL.
3 de maio de 2011
Caê no Caetano
Faz um tempo que procuro a intensidade que encontrei no Veloso. Ora tão baianamente calmo, dizendo suas palavras com uma voz tranqüila e doce, ora entrando nos meus ouvidos como quem entra numa casa sem dono e sem medo.
Há pouco eu ainda dizia que não gostava por não conhecer, então fui apresentada ao Cê, disco dele de 2006, que me proporcionou uma degustação de tudo o que Caetano significa, não só como o cantor que revolucionou o cenário musical brasileiro, mas me deu a impressão de conhecê-lo intimamente, como aqueles amigos que se conhecem em bares.
O disco é uma mescla de guitarras distorcidas, com palhetas marcadas, bateria acelerada e um baixo insano, lembrando toda a violência e vivacidade do rock'n'roll, com a voz calma e tranquila de Caetano. Letras fortes, diretas, sexuais, íntimas... Lembram uma conversa informal, um jogo de relações ainda não muito bem estabelecidas.
Os arranjos musicais são uma atração à parte. Cada acorde, cada nota, parecem ter sido propositalmente pensados para mergulhar o ouvinte em um extase hipnótico. As sensações das músicas, que ora tão sutis e ora tão extravagantes, não são inseridas no ouvinte, mas ao contrário, insere-o nela. Você se percebe dentro das músicas, em meio às notas doces, letras pesadas e vice-versa.
A intensidade do álbum é notável! Para os que já conhecem e admiram Caetano, o disco tão cheio de complementos e experimentos traz um novo frescor, um novo sabor. É um revival musical. Para os leigos, é um banquete de pequenas porções do que Caetano Veloso, enquanto músico, e um almoço de grandes pratos do que Caetano Veloso, enquanto ser humano.
O álbum se inicia com a música Outro, que por sua vez se inicia com a palheta marcada, guitarra levemente distorcida, bateria nervosa e um baixo que me lembra alguns rocks dos anos 50. A música ainda tem um apelo teatral e um solo de lembrar os ruídos tranqüilos de Jimmy Page. A letra é uma atração à parte e em uma palavra eu resumiria em esplêndida! Vemos essa irreverência e agressividade simpática em outras músicas como Rocks, Musa hibrida, Odeio, Homem, O herói... E esta última é de fato uma poesia com acompanhamento. Creio que é uma das críticas mais amargas e bem elaboradas que já pude ouvir.
Logo depois, temos um choque com uma música de levada tranqüila, com um baixo que de tão rápido, lembra o som de um clássico violoncelo. Uma música blue, Minhas Lágrimas. É como quando bebemos café quente e logo depois um copo de água gelada. A voz de Caetano agora tem maior destaque nessa música. A impressão que tive é que a melodia é apenas um acompanhamento, para uma poesia recitada, novamente. Então seguem músicas mais intimistas e calmas, que ganham uma leve distorção, trazendo a cara do blues à memória. Assim como ela, Não me arrependo, Um sonho levam as mesmas características.
Dentre as músicas está Waly Salomão que não tem muitas distorções, é uma música que é marcada intensamente pelo bumbo da bateria. Algo que lembre Mercedes Benz. Letra crítica e direta. E outra que é muito interessante é a Porquê?, que é uma repetição de duas ou três linhas de letras que falam muito mais que um discurso político.
E do disco, posso destacar como melhor música para mim, Deusa Urbana. Essa estímulou uma das coisas mais lindas da vida de uma pessoa: Ser tratada pela música. Sabe, caros leitores, creio que a música é a única coisa de fato sobrenatural. O poder que ela exerce sobre as pessoas não tem explicação. Não há como descrever com exatidão a sensação que a música pode nos dar. Deusa Urbana é a música do álbum que mais me falou ao pé do ouvido. Uma música que fala com você olhando nos olhos, sem máscaras ou sarcasmo.
O disco é intenso, denso, forte, gritante! Música que bate na sua cara e grita: Seja homem! Música que te chama para um café num fim de festa. Música que te veste e aquece. Música que tira sua roupa e te chupa com notas sutis. Música te ferve. Música que te esfria. Sem dúvida, esse disco foi um dos melhores presentes que pude me dar e um dos melhores remédios já receitados pra mim. Degustem...
2 de maio de 2011
Vá você!!
Há um poema do João Cabral de Melo Neto (perdoe falar do sagrado em meio a profanos) em que ele diz algo, mas não diz; implicita explicitamente. Vejam:
Tecendo a Manhã
1.
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
2.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
João Cabral de Melo Neto
Na produção abaixo (vide agora o que quero dizer com profanar), há algo que lembra isso nesse singelo "vá você"
Familiar, Maurício?!.
vá você
não há o que fazer
você se recusou a me dar atenção
e eu não vou esquecer
quando eu disse que sim você falou que não
eu tentei entender
eu quis lhe explicar mas você se opôs
o que eu posso fazer
cê só pensa em você não pensa em nós dois
vá você
num bota minha mãe
no meio disso ela não tem nada a ver
num xinga minha irmã
ela não faz fofoca ela não é você
corno é o seu pai
pergunta pra sua mãe que você vai saber
viado é seu irmão
não desgruda de joão cê pensa que eu não sei
vá você
pode me ameaçar
pode descabelar eu tô é por aqui
num fala assim de pai
que pai morreu dizendo pra eu largar de ti
cê aprontou demais
eu nunca tive paz derna que eu te achei
naquele pardieiro
chei de gigolô lésbica puta e gay
De: Paulinho Dagomé
Por: Isaac Mendes
30 de abril de 2011
Honrar a Vida: Um Canto Sobre o Valor da Vida
Sem dúvida alguma, quem ouve a belíssima canção da compositora argentina Eladia Blasquez - que foi magistralmente interpretada por vários artistas da talha de Mercedes Sosa, Marilinia Ross e Sandra Mihanovic (que tem uma preciosa versão que compartilho aqui com vocês) - não pode deixar de refletir acerca de seu mensagem, pois de uma ou outra forma, toca a alma de muitos de nós e nos incita a refletir sobre a letra da canção.
No, permanecer y transcurrir no es perdurar, no es existir, ni honrar la vida.
Hay tantas maneras de no ser, tanta conciencia, sin saber, adormecida.
Merecer la vida no es callar y consentir tantas injusticias repetidas.
Es una virtud, es dignidad, y es la actitud de identidad más definida.
Eso de durar y transcurrir no nos da derecho a presumir
porque no es lo mismo que vivir honrar la vida
No, permanecer y transcurrir no siempre quiere sugerir honrar la vida.
Hay tanta pequeña vanidad en nuestra tonta humanidad enceguecida...
Merecer la vida es erguirse vertical más allá del mal de las caídas.
Es igual que darle a la verdad y a nuestra propia libertad la bienvenida.
Eso de durar y transcurrir no nos da derecho a presumir porque no es lo mismo que vivir
Honrar la vidaREFLEXÕES SOBRE O VALOR DA VIDA?
Porém, creio não ser alguém que deveria estar qualificado para escrever umas reflexões sobre um canto ao valor da vida. Por que dentro de mim há duas partes que lutam, se contrapõem, vencem umas vezes e perdem outras. Existe uma como reflexo da outra em universos paralelos e coincidentes. Uma parte que gosta dos presentes da vida, que é vital, que acredita no amor, na pureza, na alegria, no que nasce e vive. Mas também existe a outra parte, que tem raiva das coisas que não acontecem na vida, das falências, dos desencontros, da falta de amor, da pobreza, da injustiça, da morte e suas variações e seus ódios. Sou alguém que intentou desertar antes do final e fracassou. Que sabe que a retórica da beleza de volver-se a levantar é falsa, pois não temos outra eleição, não é uma virtude: é uma tarefa de castigo. Não existe outra opção. A grande diferença está na posição vertical que nos dá a dignidade. Assim, como posso escrever sem cair numa espécie de hipocrisia ao ser parcial só com uma parte? Alguém não crente pode louvar a Deus? Pode alguém que não é feliz falar apropriadamente da felicidade?
Vou a tentar.
Para iniciar estes comentários devo dizer que poucas vezes encontrei um titulo que quase por si mesmo seja toda uma obra completa. Basta ler e deixar voar a mente para saber a força da mensagem que vai detrás.
QUE NOS ENSINA A CANÇÃO?
Para mostrar respeito e reconhecimento ao valor que têm a vida (isso é honrar), para tornar-nos atores da honra, a chave esta na atitude do ser. Vamos a descrever brevemente o que a canção fala indiretamente do que isto implica.
A ATITUDE DO SER
Sem permanecer. Temos que fluir e deixar fluir a vida através de nós. Não temos que ficar parados desejando que os momentos se tornem fixos para sempre. Todo flui na existência.
Sem presumir. Somos tão pequenos frente da imensidade da existência que nada do que poderemos lograr ou alcançar a ter, vale nada. Nossas vitórias o sucessos são brisa num furacão.
Sem vaidade. O ego é o caminho para sofrer. É para depender da aprovação dos outros que cultivamos nosso próprio sofrimento ao acharmos melhores que os demais.
Sem transcorrer. Não é deixando que a vida transcorra simplesmente que vamos a encontrar a chave de marcar nossa sina, que passamos por aqui. Temos que influir e afetar a outros a nosso passo.
Sem cegueira. Simplesmente não enxergamos a realidade quando somos cegos da dor, da injustiça, das mentiras que construímos e acabamos acreditando nelas. Cegos das mentiras do amor e seus servos: o sexo e os apegos.
HONRAMOS O SER AO VIVER A VIDA
Com Dignidade. Somos dignos quando não deixamos atrás os sonhos e os ideais que são nossos princípios e valores.
Com coragem. Não abandonar-nos à dor e aos lamentos. Reunir forças para voltar a enfrentar as caídas, uma e outra vez.
Com Verdade. Deixar de mentir-nos é o primeiro passo para dizer as coisas pelo que são, sem trocar significados e nomes por nossa fraqueza de enfrentar as conseqüências.
Com Liberdade. Não seguir os modelos impostos por nossos prejuízos, nossas frustrações, nossas crenças. Seguir o coração e o que nos faz sentir a nós mesmos.
PARA MERECÉ-LA
Estamos dispostos a fazer as coisas que devem ser feitas para que possamos merecê-la?
A vida não é grátis. Tem um preço. DEIXEMOS NOSSAS PASSADAS NA AREIA CONSCIENTES DA BREVEDADE DO TEMPO. O EFÊMERO DE NOSSO PASSO.
(*) Ruy é um amigo boliviano, consultor de empresas e já foi citado neste blog no post http://cemfinslucrativos.blogspot.com/2011/04/rosa-no-asfalto.html
28 de abril de 2011
Foi Uma Pedra que Rolou
Não quero nem faço apologia à revolta, ao histerismo nem à irracionalidade, friso. Apenas apelo ao bom senso, como quereria Roberto Carlos e as baleias. E o bom senso manda que, uma vez perdendo-se um grande amor, a gente deve manifestar, pelo menos, lanpejos de desespero.
Cá está a letra na íntegra:
Me levavas jurando ter grande afeição por mim
Tu foste embora me deixando triste assim
Isto é cruel, meu Deus do Céu,
Isto é demais, isto é pecado,
E não se deixa um homem assim abandonado
Eu que era crente e digo o mesmo prá você,
estou desiludido.
Destruíste o castelo,
Tão bonito que eu havia construído
Tens um coração de pedra, falsidade igual ä tua ainda não vi,
Vou viver te maldizendo,
E maldizendo o dia em que te conheci,
Foi uma pedra que rolou da ribanceira da desilusão.
E redundou, e redundou na causa morte,
Do meu pobre, do meu pobre coração,
E eu que já pensava ter um pedacinho
Pequenino de felicidade.
Vi tudo desmoronado,
E destruído pela tua falsidade
26 de abril de 2011
Completamente Seu
A Rosa no Asfalto
Sou amigo de um homem sem medidas.
25 de abril de 2011
Manga
23 de abril de 2011
A Escola dos Deuses
Para entender e aceitar o que vai na obra é imprescindível um nível muito alto de abstração. Sutil por demais, por demais profundo.
Baba das Nigrinhas
Alguns amigos me convidaram, ontem, para participar do Baba das Nigrinhas. Baba, na bahia, é um jogo de futebol num campo qualquer. Ocorre que vários homens, em vários locais da cidade, se vestem e se pintam como uma mulher para jogar. Recusei o convite só por um motivo: não estou em forma para correr. Que, se eu estivesse, punha um vestidinho curto e tava lá colado. Ora, Leo Kret - que, suponho, todo o Brasil conhece - esteve na festa, sobre um trio - conforme se verá no vídeo acima. Pois imaginem o gigantesco engarramento causado pela(o) nossa(o) vereador(a).
O evento é engraçadíssimo. Vestidos de todos os gêneros: longos, curtos, decotados. E, claro, o tremendo mau gosto. Se se quer imitar as mulheres, é a pior das imitações. Se se quer caricaturar, ai tudo bem. Se se quer parecer piriguete, tá muito mal. Ok, eu sei eles não querem nem uma coisa nem outra.
Para que vocês tenham uma clara idéia do que é o Baba das Nigrinhas, vejam esse video.
22 de abril de 2011
As Meninas do Brasil
20 de abril de 2011
Abandonado por Ulisses
- Ulisses não trabalha mais aqui, broder.
Foi com essa frase ecoando em meus tímpanos que me sentei, num desalento comum aos desamparados, comum àqueles que visitam terras onde filho chora e mãe não vê. Ora, só Ulisses sabia a medida certa de cada fio! Só ele sabia fazer aquela estética dégradé! Só ele tinha a perícia, unindo tesoura e navalha, de podar algum fio mais saidinho, mais assanhado! Ergui, mentalmente, as mãos para os céus buscando, nas alturas, solução para meu drama. Valei-me vós, ó deuses das profundas capilaridades!
- Tem preferência por outro profissional, broder?
Que pergunta! Quem nesse mundo poderia substituir Ulisses?! Ninguém!
- Del corta bem pra porra.
- Quem é Del?
- (ele apontou com o beiço estendido).
Eu não tinha escolha. No dia seguinte haveria uma reunião logo cedo, e o aspecto de Sansão poderia causar má impressão.
- Ok. Eu aguardo.
Daquele dia até esta parte, já estive com Del duas vezes. Estou feliz e espero que ele não me abandone. Nunca. Que nunca me Delete.
11 de abril de 2011
Justiça Seja Feita
Um dado histórico: lá em casa, só quem, de fato, deu duro na vida, fomos eu e Petrônio. Fábio, Maurício e Paulinho foram mal acostumados por painho e mainha. Fábio e Maurício só pegaram no duro quando se casaram, e, mesmo assim, um duro um tanto quanto flácido. Já Paulinho, esse, sim, até hoje - estamos falando de quase meio século - vive da fala. Sim, a mesma fala que o faz retirar leite de uma vaca pintado num afresco. A foto ao lado ilustra bem a minha e a vida de Petrônio . Dá pena, gente. É um garoto, e já na labuta!
Acerca de Minha Barriga
Alhures, disse-lhes que estava sofrendo com a imensa barriga que desenvolvi - resultado do sedentarismo e de outras apurrinhações. Pois faço saber - a quem interessar possa - que evoluo diariamente. Perdi 2kg. Minha meta é perder 5 até o final do mês que vem. Aguardem. 6 de abril de 2011
Método Silva
24 de abril de 2010
Varal
17 de abril de 2010
Gillette

28 de março de 2010
24 de março de 2010
8 de março de 2010
Avatar
Tudo bem, o filme não levou a estatueta. Pouco importa. Vi o filme 3 vezes em 3D e não me arrependo. E digo mais: quarta-feira, em Brasília, vou assistir novamente, desta feita acompanhado pelos amigos e parentes do DF. Cada um leva do filme o que melhor lhe convém. A mim me convém: a) que maravilha de efeitos especiais! b) que coisa maravilhosa voar! c) quanto surrealismo!. A gente toma um banho, entende?! Tudo bem que os especialistas vão criticar isso e aquilo. E muito provavelmente terão razões técnicas para tanto. E muita gente vai apontar a presença de um discurso com viés x ou y. Tudo bem. De minha parte fica pura e simplesmente uma satisfação estética, já que minha burrice cinematográfica me impede de ver além das imagens (bom isso, não?!). Sim, eu vi Guerra ao Terror e... gostei. Assistiria novamente? Sim. Mas ficaria por ai.
7 de março de 2010
Neste pais, lugar melhor não há!
Há algumas canções brasileiras que, em algumas ocasiões, deram o tom da nossa vida em família. Muitas delas, se as ouvimos, nos conduzem ao espírito predominante naquelas circunstâncias. Na minha infância – ali pelos 6, 7 anos – rolava It,s Now or Never, na voz de Elvis. Hoje, qualquer membro da família que a escutar (exceto Fábio e Maurício, que só nasceram muito depois), será remetido a um tempo bom. Tempo em que comíamos vitamina de abacate, que estudávamos no Centro Integrado de Educação Luis Navarro de Brito, que íamos ver painho – técnico de futebol – movendo-se, inquieto e esbravejante, nas laterais do Campo do Nacional e do Fluminense. Tempos depois: “Ó pai, eu queria tanto ouvir o som que vai abrir o encontro triufal”. É que o Irmão Paulo, assim que se convertera ao Evangelho, comprara um gravador, que ele punha no criado-mudo, ao lado de um bando de fitas BASF. Nelas, canções do Grupo Logos, liderado pelo vocalista e letrista Paulo Cézar. E era uma canturia sem fim de Minéia e Márcia. E era uma peregrinação de membros da irmandade em casa. E era Jesus – havia sempre mais de dois reunidos – sempre presente. E, coisa engraçada, rigorosamente estava ali uma flagrante negação da Doutrina da Congregação, que proibia escutássemos outra coisa que não os Hinos de Louvores e Súplicas a Deus. Mas isso pouco importa. E dá-lhe BASF: E quando enfim chegar o dia mal, onde a dor parece até que vai vencer, bem lá no fundo, então, renascerá a paz que o mundo inteiro não entenderá. E dá-lhe BASF: É... Já não mais poderemos ficar juntos e orar, e pedir ao Senhor que nos ponha no peito Mais uma canção. E dá-lhe BASF: Nasce no meu peito a vontade imensa De cantar louvores ao Trino Deus e exaltar o nome do meu Pai eterno que do grande inferno já me resgatou. Mas o tempo passou e, nele, fomos passando por gerações de bandas e letras e canções. Até que chegamos àquele ponto onde nos dispersariamos para sempre(Fábio e Maurício já haviam nascido). Estávamos em Brasília e tomamos conhecimento de uma banda chamada Legião Urbana. Éramos muito rigorosos (perdoai a modéstia). De modo que, para nos impressionar, a música/banda precisava ser, de fato, boa. E aquela banda nos impressionou. Mais que isso: marcou nossas vidas para todo sempre. Era 1987 (é isso, Fábio?). Estávamos à beira do Rio Corrente quando, juntos, ouvimos pela primeira vez Faroeste Caboclo. João de Santo Cristo, o boidadeiro, Pablo, Jeremias e... Maria Lúcia, aquela menina gostosa. A música era imensa. 10 minutos para narrar uma saga. E quem não se lembra de: Ele queria sair para ver o mar e as coisas que ele via na televisão. E ainda: Comprou uma passagem foi direto a Salvador. E ainda: Estou indo pra Brasília, nesse país lugar melhor não há. E ainda: Meu Deus, mas que cidade linda!. E o verso mais tocante: - Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia.
Pois bem. Não vejo paradoxo algum – pelo menos sob a ótica da influência que causaram em nossas vidas – em juntar Paulo Cezar e Renato Russo num capítulo especial da biografia da família. E se foi um irmão Paulo – primogênito – quem inundou a casa de Logos, foi Fabinho – caçula –, e seu eruditismo musical, que contaminou de N músicas nosso quarto no bloco N.
5 de março de 2010
Filho de Peixe Peixe é
Aquele que é um bom crente,e que a verdade investiga,
sabe que Deus não castiga
e que tampouco premia.
Por Sua sabedoria,
que o infinito permeia,
você colhe o que semeia,
pois, plantio é opção,
porém a colheita, não...
Não há vítima inocente!
Os que estão fora do embate
dessa onda vibratória
não fazem parte da história,
mas têm outra provação:
só de verem seus irmãos
nesses revezes da vida,
têm, de alma comovida,
exercitar compaixão,
caridade, dando a mão,
no amparo, no resgate.
Lembremos que o Todo é o alvo ...
Do Oceano da Vida
somos gotas, onde contida
está a Centelha divina.
Então, não há outra sina:
ninguém terá salvação,
enquanto qualquer irmão
inda estiver à deriva.
Se uma ovelha é cativa,
nenhuma estará a salvo!
É mesmo simples assim:
para uma planta nascer
um grão terá que morrer
no aconchego da cova.
Vida vai pra vida nova
surgir logo ali na frente.
No Haiti, morre a semente
mas no além frutos sobram.
Por eles os sinos dobram
e dobram também por mim!
O Amor é o supremo viço,
e só conhece o Amor.
Então, seja como for,
a Luz só conhece a Luz,
e Deus só a Deus faz jus.
Pensar num deus vingativo
é crer num deus que é só vivo
na mente que Deus não vai.
Terremotos, dores, ais...
Deus não tem nada com isso!
Deus por si se realiza,
e, como ensinou Jesus,
Deus é a Fonte da Luz
e eu sou Luz que dEla emana.
A inteligência reclama:
se sou filho e Deus é pai
Deus em mim se sobressai,
mesmo que eu seja um ateu...
E quem é filho de Deus,
brincar de Deus não precisa!
Elevemos nossas preces
ao Deus que, dentro de nós,
sussurra constante a voz,
clamando fraternidade
amor, perdão, caridade
e, em suma, todo o Bem.
Ninguém é mais que ninguém,
nem menos, somos iguais,
somos o eco dos ais
do Haiti que padece!
4 de março de 2010
Volume
Ando muito, muito chateado com minha barriga. Se tiro a roupa e apalmo todo o patrimônio barrigal construído desde que voltei de Mato Grosso, dá-me uma tristeza enorme. Trata-se, é evidente, de um problema sanável, qual seja: comer menos e praticar alguns exercícios. Como pouco, logo 50% do que me cabe fazer eu faço. Mas os benditos dos exercícios... Pensem comigo: fazer 5 voltas em torno do Dique Tororó (coisa de 1 hora e meia de caminhada). Não dá. Lamento. Ontem comprei umas roupas. Numa das calças eu entre muito bem. Ficou tudo certinho, afinal de contas é número 44. Mas um´outra, também 44, na hora de abotoar e de fechar o ziper foi uma lástima. Fechou, mas a respiração ficou abalada, além de volumes de minha amplitude terem saído do domínio do cinto. POis é. Mas fico feliz em saber que Petrônio, Fábio, Maurício e o irmão Paulo andam nas mesmas sendas. Ênfase seja dada à atuação dos dois últimos.
Penetrações do Cabeção

Tudo bem, leitores, eu entendo que o título acima conduz a diversos entendimentos. Mas só um deve ser considerado. Explico: Eduardo Cebeção, que me ajudou a selecionar pérolas de Nietzsche para o Implikant, acaba de inaugurar seu blog: O Penetra. Cabeção custuma penetrar, sem ser convidado, em festas e eventos de Brasília. Ele vê nisso uma grande glória para sua biografia. Cada um, cada um. Seja como for, a sua micro biografia postado no blog Supernova está excelente. Confiram.
3 de março de 2010
Padre
Não raro, há quem me atribua fumos de sacerdote; um quê de eclesiástico. Dizem que sou paciente e que sei escutar as pessoas. Se a gente for trabalhar a partir de minha biografia, há fundamento para isso. Vejamos: a) Durante muitos anos, comi borra de vela na... Congregação; b) Adolescente, fui semi-interno do Convento de Monsenhor Félix, de quem era pupilo; c) Aos 20 e poucos, iniciei, mas não concluí, o curso de Teologia em Brasília; d) Estou concluindo o curso de filosofia; e) Não me casei (embora tenha tido um conjunto razoável de relacionamentos). Ora, em face disso, sinto que Algo mais forte que eu me impele ao sacerdócio. E se esse é o meu destino, então não tem pra onde correr. Dai-me o hábito, incensos, óstias; beijai-me as mãos e fazei reverências à minha passagem.












